A OSIA acredita que esta frívola ação tem mais a ver com a recente decisão do governo Brasileiro de migrar 300 mil PCs de Windows para o Linux do que qualquer real dano à Microsoft.
Os comentários públicos do Sr. Amadeu compararam o hábito da Microsoft de dar software de graça para governos (ao menos inicialmente) com aquele dos traficantes de drogas, que dão seu produto de graça até a vítima tornar-se viciada, e então exigem pagamento pelo fornecimento atual. Seus comentários simplesmente espelham os comentários públicos feitos por não menos que o co-fundador e presidente da Microsoft, o próprio Bill Gates, além de bem situados comentadores sobre as práticas de negócios da Microsoft somo o Juiz Penfold Jackson, o juiz original do agora famoso caso anti-truste do Departamento de Justiça [Estado-unidense] versus Microsoft, em que esta foi considerada culpada de abuso da sua posição de monopólio.
Em 27 de fevereiro de 2001, no final do primeiro estágio dos julgamentos anti-truste, o Juiz Jackson foi "citado como tendo dito que a Microsoft era como um 'traficante de drogas'" em uma entrevista franca com a mídia. Antes disso, ao dirigir-se para estudantes universitários em 1998, o então CEO da Microsoft Sr. Gates disse, "Apesar de cerca de 3 milhões de computadores serem vendidos a cada ano na China, as pessoas não pagam pelo software. Algum dia eles pagarão, no entanto. Já que eles vão roubá-lo, nós queremos que eles roubem o nosso. Eles se tornarão como que viciados, e então, de alguma forma, nós descobriremos como cobrar por ele em algum momento da próxima década".
A OSIA quer saber por que tal ação legal está sendo tomada contra o Sr. Amadeu por fazer declarações que poderiam ter sido tiradas diretamente da própria boca de Bill Gates. Se o Sr. Gates pode fazer comentários que aludem às práticas da Microsoft de tornar seus usuários viciados em seu software, então a Microsoft não tem embasamento para alegar que os comentários do Sr. Amadeu são difamatórios.
Nós também queremos saber por que a Microsoft acredita que tem o direito de frear a liberdade de expressão e a crítica responsável, crítica que reflete uma máxima generalizadamente aceita na indústria de TI: que os fabricantes de software proprietários frequentemente 'semeiam' mercados com software de custo zero, chaveando usuários com dados, formatos de documentos e APIs proprietárias, e então ordenham [1] aqueles usuários pelos próximos anos com compras forçadas de licença, atualizações e programas de 'garantia' de software. É assim que a Microsoft consegue ter lucros em torno de 80% em produtos como o Windows e o Office. Traficantes de drogas ficariam com inveja.
"O relatório da Comissão de Competição Européia sobre o caso da Microsoft foi completamente publicado e cita os emails internos da Microsoft atribuindo a lealdade de seus consumidores ao alto custo de migrar do Windows".
Este último ponto é a chave. Documentos liberados pelo caso anti-truste da União Européia contra a Microsoft revelam que seu modelo de negócios se apoia em estratégias de chaveamento monopolístico. Para proteger sua organização contra fabricantes que o chaveariam no software proprietário, a OSIA recomenda que os usuários mudem para softwares e padrões livres e abertos. Porque essas tecnologias são de código aberto, nenhum fabricante único pode chavear usuários no seu produto, levando-os ao vício.
Microsoft, se o sapato serviu, use-o. E de acordo com seu próprio fundador, o sapato serviu perfeitamente porque ele é parte do seu plano central de negócios. Se vocês realmente se preocupam com como os cidadãos do mundo os vêem, então mudem sua conduta de negócios, não ataquem a liberdade de expressão como pretexto.
[1] Nota do Tradutor: Segundo o Dicionário Cambridge, milking (aqui traduzido por "ordenhar") tem o caráter de "obter tanto dinheiro ou informação de alguém ou algo quanto possível, frequentemente de uma forma egoísta ou desonesta".