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Relatório da ONU aponta o Software Livre (FLOSS) como melhor
Editoria: Geral
02/Feb/2004 - 14:08
MyDoom demonstrou que o Software Livre ou de Código Aberto é mais seguro, e agora a OpenSector.org relata que um estudo da ONU disse que é melhor também por várias outras razões.

"O relatório disse que o FLOSS é melhor por quatro razões primárias:

  • Mais pessoas procurando defeitos significa mais defeitos encontrados e consertados;
  • Livre das considerações do mercado, os desenvolvedores liberam mais correções e melhoramentos, e mais frequentes;
  • Software proprietário não garante a qualidade, numa tentativa de evitar responsabilização legal;
  • A disponibilidade do código-fonte permite que os usuários corrijam, adaptem e melhorem por sua própria conta.

O relatório inclui um resumo das políticas de desenvolvimento e atividade do FLOSS em todo o mundo.

O "E-Commerce and Development Report 2003" da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento, capítulo 4, "Software Livre e de Código Aberto: Implicações para as políticas e o desenvolvimento da TIC" está disponível em PDF de um link do artigo da OpenSector.org.

Uma das áreas enfocadas pelo relatório é a segurança, e já que esse é o tópico do dia, eis o que eles dizem:

"Segurança de dados públicos é uma grande preocupação dos governos, particularmente com a recente onda de ataques de vírus, e a crescente ameaça de cibercrime, ciberterrorismo e espionagem. No mínimo, introduzir diversidade na base de funcionamento do código do software reduz a possibilidade de falhas catastróficas causadas por vírus que ataquem uma monocultura de software. "[grifo adicional]

É a agora aceito, diz o relatório, que existe uma necessidade de padrões públicos e abertos para os aplicativos e arquivos de dados que lidam com informações públicas, e por maiores razões do que o óbvio -- que não é justo obrigar os cidadãos, que têm o direito de acesso aos dados públicos, a pagarem altos preços a um monopólio para efetuar esse acesso:

"O Software que é utilizado para gerenciar registros públicos, impostos ou, no futuro, votações, pode necessitar seguir padrões do FLOSS.... Com o software e arquivos de dados proprietários de código fechado, caso o fabricante descontinuar o suporte por razões técnicas (por exemplo, porque manter compatibilidade retrógrada está prejudicando o código das versões novas e corrente) ou razões financeiras (por exemplo, um fluxo de caixa insatisfatório ou falência), escritórios públicos podem se encontrar forçados a atualizarem hardware ou software (frequentemente ambos) ou convertê-los para outro sistema, com os custos implicados resultantes."

As vantagens do FLOSS não são limitadas somente a custos menores:

"A questão é qual regime para a propriedade e a distribuição de ferramentas de TI melhor serve os interesses de países em desenvolvimento ou a economia global como um todo. Pensar no FLOSS como simplesmente uma alternativa de menor custo ao software proprietário falha no importante aspecto do que o FLOSS habilita. Em um ambiente de FLOSS, o grau no qual uma ferramenta de software pode ser utilizada e expandida é limitada apenas pelo conhecimento, aprendizado e energia inovadora dos usuários potenciais e não por direitos de propriedade excludentes, preços, ou o poder de países e corporações."

Aqui estão mais alguns excertos:

"O que é FLOSS, e como ele se diferencia de produtos de software proprietário...? Uma analogia simples a qualquer refrigerante de cola pode ser valiosa. ... Você pode comprar um refrigerante de cola e você pode bebê-lo, mas não pode conhecê-lo de uma forma que lhe permita reproduzir a bebida, ou melhorá-la. ... Patentes, direitos autorais, esquemas de licenceamento e outros meios de restringir o conhecimento dão suporte legal à noção de que bens econômicos são criados e que os inovadores podem e devem se apropriar de uma proporção dos bens como incentivos à inovação. Sem a proteção da Propriedade Intelectual, quando descoberta uma 'nova e melhorada' fórmula, a pessoa que a inventou não teria o direito econômico defensável de dividir os lucros que seriam gerados ao vender bebidas feitas a partir da inovação. Ora, aquela pessoa não mais teria o incentivo financeiro para inovar em primeiro lugar, então o sistema se acomoda e a cola melhorada nunca é produzida. ...

"A produção de software é tipicamente organizada num regime similar, com um argumento paralelo por trás. Ao comprar software, por exemplo, pessoas e empresas não possuem o software no sentido de que eles podem fazer o que quiserem dele. A licença de direito-de-uso os permite usar o software proprietário em um computador, mas somente sob termos bastante específicos: eles não podem reproduzí-lo, modificá-lo, melhorá-lo, ou redistribuir sua própria versão do software para outros. ...

"O processo do código aberto reverte essa lógica... 'Livre' neste contexto significa liberdade para executar o programa para quaisquer finalidades, para estudar como ele funciona e adaptá-lo às suas necessidades, a redistribuir cópias para outros, e a melhorá-lo e distribuir suas melhorias para a comunidade tal que todos se beneficiem. Não necessariamente significa que o preço é zero, já que o FLOSS pode ser negociado em mercados como qualquer outro artigo.

"Os elementos chave do processo do código aberto, como um tipo ideal, é a participação voluntária e a seleção voluntária de tarefas. ... O suporte do software a novos hardwares no mundo proprietário é frequentemente condicional a uma 'escolha' forçada para atualizar e pagar novamente por licenças."

O capítulo conclui que enquanto nenhum software individual pode ser melhor em todas as áreas e maneiras, porque depende das necessidades dos usuários, mantidas as mesmas condições, "o software com menor número de bugs sérios e um custo total de propriedade mais baixo é geralmente preferível em bases simplesmente econômicas." Ele tem uma tabela que mostra que dos 20 "mais robustos servidores de Internet", apenas um executa software proprietário.

Ele ainda fala sobre o custo total de propriedade, e aponta que enquanto treinamento pode ser necessário a princípio, durante o tempo de vida do software, esse custo de treinamento não se mantém, e no mundo em desenvolvimento, os custos de trabalho são baixos de qualquer forma. Além disso, ter o código-fonte significa que você pode consertar as coisas você mesmo, se você não quiser contratar serviços de suporte, ou contratar suporte externo de "um mercado competitivo onde qualquer um pode entrar". O relatório diz que "mesmo a Microsoft" admitiu que o custo das licenças do software somente perfazem 8% do custo total de propriedade, sendo os outros 92% divididos entre instalação, manutenção, gerencimento, e reparos consequentes a falhas. E finalmente ele diz:

"O que parece claro é que o FLOSS pode ajudar instituições pública e privadas a evitar serem trancados em um ciclo vicioso de atualizações de hardware e software e mudanças nos formatos dos dados que podem necessitar investimento em novas taxas de licença e re-treinamento significativo que pode provocar grandes perdas de tempo."

Ele ainda diz mais uma coisa que aponta para o futuro: "Software proprietário raramente é visto tomando a fatia do mercado ocupado por soluções de código aberto onde elas existem." 43,7% das empresas alemãs e 31,5% das britânicas relataram usar FLOSS em 2002. Aproximadamente 40% das grandes empresas americanas e 65% das corporações japonesas usam GNU/Linux de alguma forma, diz o relatório.

Um ponto final que achei interessante. Eles declaram que a maioria dos desenvolvedores de software não ganham dinheiro da venda de licenças de softwares proprietários. Esta percepção vem dos poucos que "podem mudar os preços do monopólio". A maioria dos softwares não é vendida em caixas para clientes. A maioria dos softwares é escrito para uso doméstico, código que é "tão grandemente integrado aos negócios da empresa e aos ambientes de TI que reutilizá-lo ou copiá-lo 'como é' é difícil ou impraticável". Deste ponto de vista somente, eles dizem, o FLOSS é a escolha óbvia. Os autores não compreendem completamente a GPL, não que isso seja um fenômeno raro, mas eles entendem isso:

"O debate atual frequentemente coloca em contraste o licenceamento proprietário e a GPL. Produtores comerciais de software discutem que promover a GPL significa evitar que qualquer desenvolvimento de software seja comercializável no futuro. Como a seção anterior indicou, a maioria dos lucros do software vem da customização, serviços ou hardware, ou todos estes empacotados em soluções. De fato, a IBM lucrou $1 bilhão nas costas do GPL GNU/Linux. Finalmente, licenceamento proprietário permite que apenas o proprietário comercialize a propriedade intelectual em questão, e a faça inacessível a qualquer outro. Qualquer um procurando redistribuir uma versão derivada de um programa proprietário deve ser proibido de fazê-lo pelos termos da licença. Então, o desfecho formal não é muito diferente daquela da GPL (Lessig, 2002). Em termos de estratégia de TIC e a sua relação com a inovação e o desenvolvimento, há indicações de que o modelo proprietário pode encorajar o patenteamento excessivo, com o desfecho final sendo redução de investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P & D) e um declínio na inovação a medida que fundos de P & D são direcionados à aquisição de patentes e pagamento de royalties (Bessen 2002, Bessen e Hunt 2003)."

E resumo, o relatório é uma clara resposta à carta de Darl McBride ao Congresso [Americano] em múltiplos níveis.



Fonte: Propus
 

 

Pelo debate e transparencia no Projeto de Lei de CONTROLE da INTERNET PyCon Brasil 2008 - Rio de Janeiro. 28 a 20 de Setembro

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