A criação de comunidades no Orkut, por exemplo, está fora da capacidade de controle da Justiça e dos próprios candidatos.
A prevalecer o entendimento de que os candidatos serão responsáveis por tudo o que se publicar no Orkut, no YouTube e em outros sites do gênero a seu respeito, a campanha ficará inadministrável. Como se poderá responsabilizar um candidato pelo conteúdo de sites que venham a ser criados até mesmo em provedores de fora do país para prejudicá-lo diante do rigor da interpretação dos juízes?
Ao definir que são proibidas as comunidades do Orkut criadas por eleitores com vínculo com o candidato para defendê-lo ou difamar adversários, a Justiça Eleitoral semeou pontos de interrogação. O que prova o vínculo com o candidato? Simpatia é vínculo? Como lidar com os anônimos que passeiam pela rede usando pseudônimos?
Há menos de dois meses, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ayres Brito, definiu a internet como "um dos últimos territórios livres". Ayres Brito fez a ressalva de que aquela era uma opinião pessoal, porque os ministros não haviam firmado posição sobre a propaganda na internet, mas reconhecia a dificuldade em controlar um veículo tão pouco afeito a regras.