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Deu na North x South: Análises e Entrevista com Marcos Mazoni - Software Livre no Brasil
Editoria: Governos
09/May/2008 - 12:02
Enviado por Redação PSL-Brasil
Durante os últimos 5 anos da administração do Presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva, o Brasil causou impacto no mundo do software livre ao promover uma política de migração para software de código aberto no governo e nas empresas estatais. A cobertura inicial da imprensa sobre essa política de mudança do uso de software proprietário foi celebrada nas divulgações da grande mídia1. Desde então, a grande mídia não tem dado muita atenção para a política atual de implementação e 'bloggers',

que possuem o Inglês como língua nativa, começaram a questionar se existe realmente algo para os defensores do software livre estarem empolgados

: "O interesse no software livre (FOSS) ainda existe no Brasil, mas sinais de progresso são difíceis de serem vistos em 2007," afirma um artigo da Linux.com2 que esta sendo repetido por toda a 'blogosfera'3.

Essa visão esta muito longe do que esta acontecendo no solo no Brasil. O compromisso do Brasil com o software livre tem demonstrado um número impressionante de iniciativas, sendo qualquer uma delas sem precedência. Coletivamente, esses programas compreendem uma enorme contribuição à comunidade do software livre em ambas as formas, código e experiência de vida em apontar o software livre como uma solução para organizações grandes e complexas, se não para a sociedade como um todo. marcos mazoni Marcos Mazoni, novo presidente do Comitê de Software Livre do Brasil

Num esforço para providenciar informação sobre as iniciativas do software livre Brasileiro para o mundo que possui o Inglês como língua nativa, nós recentemente falamos com o Marcos Mazoni, atual presidente da empresa estatal SERPRO (maior empresa de TI da América Latina). Sr. Mazoni foi apontado, em Abril, para chefiar o Comitê Técnico de Implementação do Software Livre, um grupo operado a nível federal no Brasil para coordenar todos os aspectos da política de uso do software livre no Brasil. O sucesso anterior do Sr. Mazoni na gerência de implementação de soluções em software livre para as maiores organizações do Brasil fez com que algumas pessoas falassem4 sobre os dois anos restantes do governo Lula e o momentum que o Sr. Mazoni traz para os esforços em pró do software livre. Marcos Mazoni: Histórico

Sr. Mazoni foi um dos primeiro a advogar pelo uso do software livre no setor público no Brasil. O seu primeiro trabalho nessa área foi com a PROCERGS, a Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul. Passando então para a chefia da CELEPAR, empresa de TI que serve todo o estado do Paraná. Depois o Sr. Mazoni foi para o SERPRO aonde ele continuou a implementar o software livre até o momento atual em que lidera o comitê federal de implementação do software livre.

Sr Mazoni: "Na verdade, eu tive contato com o Software Livre quando eu presidi a PROCERGS, no Rio Grande do Sul, nos anos 90. Iniciando um trabalho de utilização do Software Livre dentro do Governo do Rio Grande do Sul, que foi um trabalho de atividades sociais, como educação, saúde, até mesmo de segurança pública. Esse projeto, que se iniciou no Rio Grande do Sul, teve uma consolidação apartir do Paraná. Em 2003, na CELEPAR. O que tivemos aqui, não foi uma experiência tão bem sucedida. Passamos por uma experência que não foi tão bem assim, a importância da construção de comunidades no entorno da organização. Aí vem uma lógica de gestão do conhecimento, aonde o conhecimento não está apenas dentro da organização, mas está compartilhado, com muitas pessoas sem nenhum controle da própria organização."

"Conseguimos desenvolver ferramentas baseadas nessa lógica de comunidade. Não só desenvolver software livre, mas usar o que já existia. Melhorar e conseguir devolver para a sociedade e manter um processo ativo. Criamos ferramentas de gestão de escritórios, dentro do governo do Paraná, desenvolvemos sistemas importantes, estratégicos, na parte de segurança pública, na gestão de veículos e outros....Saímos daquela parte mais social e fomos para a parte económica, empresarial e de alto risco para a gestão do governo. Por isso que o projeto do Paraná, ele tem essa concretização maior do que o do Rio Grande do Sul."

"Ao chegar no SERPRO, o SERPRO já tem uma cultura, né? É a maior empresa de informática do hemisfério sul. Portanto, já tem uma cultura muito grande, tanto no mundo do software livre quanto no do software tradicional. Mas já vinha trabalhando nos quatros primeiros anos dessa gestão com a utilizacao do software livre. O que se procura dar, é a dimensão da integração com a comunidade, da integração com o ambiente externo, do entendimento de que usar o software livre é importante, mas ter a filosofia do software livre é mais importante ainda. Essa é a inovação que queremos."

Contribuições Práticas vindas do Desenvolvimento de Software Livre no Brasil

Na área em que o Sr. Mazoni trabalhou, as empreas estatais de TI, a maior parte da contribuição que ocorreu foi no desenvolvimento de software e na introdução do paradigma do software livre dentro da cultura da gerência dessas empresas. Desta experiência saiu um grande número de programas de software livre que estão disponíveis para download nos sites das empresas que os desenvolveram.

Sr. Mazoni: "Nós temos empresas públicas na área de TI, tanto estadual quanto federal, de altíssimas capacidades técnicas. Nós temos excelentes profissionais que colocados diantes da tecnologia do software livre se entusiasmam com a possibilidade de fazer a informática propriamente dita. Esse é um lado tranquilo que evoluiu nesses últimos dez anos no Brasil.Eu sinto falta de muita coisa, mas que na medida em que conseguimos avançar, nós efetivamente mudamos de patamar.É essa questão de que eu não preciso desenvolver tudo. Eu tenho que trabalhar com a análise das soluções que existem. E manter cooperando com essas comunidades."

"O processo produtivo é completamente diferente, porque ele parte de um modelo mental diferenciado. Porque o modelo mental do software proprietário, ele nos criou a lógica da comparação. Um produto faz uma coisa, outro produto faz outra. Eu vou comprar o que faz mais do que eu preciso, ou mais perto do que eu preciso. No mundo do software livre, nós temos que sair desse modelo mental. Eu não vou comparar o quanto um faz, ou o que o outro tem que fazer. Para escolher o produto e coloca-lo no minha rede. Eu vou ver aquele que está mais perto da minha necessidade, mas já vou me posicionar como elemento ativo na construção dessas diferenças, e devolver essas diferenças para a comunidade também. Então, a gente foca além da medição tecnológica, talvez não é nem o que faz mais. Essa mudança de escrever o texto junto, de compartilhar e não de competir, é a grande mudança na filosofia do software livre."

"Então quando a gente olha, nós temos algumas experiências no Brasil de construção de sistemas de escritórios, correio, agenda, catálogo...tudo baseado na tecnologia de software livre. Nós tivemos o 'Direto' da PROCERGS, tivemos o 'Carteiro' do próprio SERPRO. Mas por que você trabalha com a idéia do 'Expresso', lá da CELEPAR? Porque o expresso é um groupware em processo evolutivo, então mais gente esta trabalhando em cima dessa solução, numa relação de produtividade muito melhor, mas mais do que isso, nós vamos ter novas coisas acontecendo nesse produto, coisas que nem pensamos ainda."

"Então essa mudança tem com certeza colocado o 'Expresso' com uma evolução grande no Brasil, no setor público especialmente, mas não somenente nele. Porque a gente começa também a introduzir, que o cooperar é a grande sacada do mundo do software livre. Não é a questão da tecnologia em si, mas é o cooperar, é trabalhar junto, além da fronteira da minha organização, que eu não preciso ter a marca da organização no produto, eu preciso ter uma solução boa, potente e com vida permanente."

Expresso é um groupware que foi desenvolvido no topo do PHPGroupware pela CELEPAR e o governo do Paraná. Adicionando uma quantidade de inovações ao software original, incluindo um front-end com AJAX/Javascript. Qualquer pessoa pode baixar esse software direto do site da CELEPAR, além de uma série de outros programas5, incluindo softwares de planejamento plurianual para municípios6.

Essa incorporação do processo de uso do software livre no planejamento e na gestão de algumas das maiores empresas de TI do Brasil (que também servem ao povo como entidades estatais que trabalham em projectos públicos) não é apenas para fornecer contribuições em códigos, mas para estar divulgando o conceito das metodologias de desenvolvimento do software livre para um vasto número de pessoas.

Resistência ao movimento do software livre no Brasil

Não precisa dizer que introduzir uma migração de grande escala e suas metodologias de desenvolvimento pode gerar uma inércia institucional independente do local aonde essa iniciativa for tomada. Introduzi-la ao setor público do Brasil, um dos maiores países deste hemisfério com uma reputação de burocracia no governo, com certeza não seria a exceção. Dito isso, o compromisso do Brasil com o software livre é demonstrado na forma em que esses obstáculos são vencidos.

Sr. Mazoni: "Há resistência de vários tipos. Com certeza há aquela resistência que se apresenta algo novo. É um novo tipo de negócio, então há pessoas que não vão conseguir se projetar nesse novo modelo. É uma mudança do sistema tradicional, onde tem pagamento de comissões e coisas desse tipo. Então, ela é uma resistência verdadeira que acontece num âmbito subjetivo e objetivo das pessoas. Mas eu considero essa uma questão de se agarrar ao modelo de negócio tradicional, ou por vontades pessoais ou por não conseguir visualizar mesmo, a oportunidade de negócios."

"Mas há resistências que são reações naturais humanas, que vem dos aspectos culturais, porque nós fomos criados num mundo, na escola, para o processo competitivo, né? Nós não fomos criados para o processo de cooperação. Nós somos classificados na escola em qualquer coisa que fazemos, que daqui para frente é quem é o primeiro, o segundo, o terceiro. Nós não compartilhamos o conhecimento dentro da escola. Na escola é o professor nos dizendo coisas e pouco compartilhamento do conhecimento. Ainda é um modelo tradicional, a questão da produção do conhecimento dentro das redes tradicionais das escolas do mundo inteiro. Então, isso leva a gente ter um modelo muito mais de competição. A própria questão do capitalismo globalizado é de que os mais fortes venceram. A solidariedade não é incentivada dentro da nossa infância. Então, quando a gente joga um modelo de negócio, onde a solidariedade que é o principal diferencial, o diferencial positivo, há uma dificuldade cultural muito forte nisso."

"Isso a gente não consegue resolver de um dia para o outro, é muita evangelização. É muita política, muito evento de software livre para tentar mostrar para as pessoas que há uma outra possibilidade de se relacionar com a vida e com os outros, os outros talentos. Esse é um trabalho de médio a longo prazo e por isso que nós aqui do Brasil temos tantos eventos de software livre. Na tentativa de mostrar que é possível, apesar de tudo o que aprendemos até agora, nas nossas cadeiras escolares, nas nossas relações políticas e familiares e tudo mais. Então esse é um elemento de médio a longo prazo, mas que tem que ser trabalhado. E um dia as coisas mudam, os paradigmas também caem."

"Mas existe uma outra questão prática, que eu também estou nessa. Outro elemento diferencial que as pessoas sentem, eu acho, é o conhecimento. Então, quando a gente apresenta uma possibilidade nova, uma relação com um conhecimento novo. A primeira coisa que as pessoas fazem é resistir, para manter o seu conhecimento naquilo que elas consideram de alto nível. "Eu sou especialista em banco de dados, sou especialista num sistema operacional, mesmo que eu não consiga sequer enxergar como que esse banco de dados ou sistema operacional funciona. Mas eu me sinto tão capacitado neles que se alguém propõe alguma coisa diferente, coloca em risco essa vantagem que eu tenho. Então, a gente tem que mostrar para as pessoas que o conhecimento compartilhado, ele permite evoluir muito mais rápido. Então também é um trabalho de convencimento sobre essa pessoa."

"A gente tem que lidar com essas questões de resistência: a cultural, a questão prática do profissional em si, mais as questões do modelo econômico. Como que a gente lida com isso? Eventos, palestras e projetos de sucesso. Projetos de sucesso são muitos importantes, para que as pessoas vejam que as dificuldades são muito parecidas mas as vantagens são muito maiores. Então é um trabalho permanente que tem que ser feito." Sobre o relacionamento da mídia com o software livre no Brasil

Sr. Mazoni: "Eu acho que a gente volta àquela questão cultural, ela também serve para a mídia. Quando anunciou que o Brazil estava fazendo essa opção estratégica, imaginava-se um movimento de vitoriosos e derrotados e é por isso que são muito apáticas as divulgações. Na verdade, o que o Brasil tem feito é um processso. Um processo dentro dos tempos que são oportunos. Nós não vamos migrar uma coisa que ainda não esta na fase de migração. É um processo que tem que ser planejado com tranquilidade. Nós não estamos numa cruzada contra o software proprietário, nós estamos em um grande movimento de outros movimentos do nosso país, do nosso continente, e acreditamos, inclussive, estar a favor de um equilíbrio maior no planeta. Isso é um processo, isso não é uma coisa onde teremos vitoriosos e derrotados. E aí perde um pouquinho a atração da mídia. Na medida em que essas coisas se dão com mais tranquilidade, com mais negociação e nessa construção, que nós não sabemos exatamente como que ela será, essa transformação do modelo de negócio."

Cooperação na América Latina

O Brasil é o maior país da América do Sul (aproximadamente do mesmo tamanho dos EUA) e a sua posição influencia outros países da região. É possível declarar que o compromisso do Brasil com o software livre trouxe naturalmente para essa direção outros países da América do Sul. Há movimentos do software livre acontecendo por toda América Latina, mas, especialmente, no Equador, Cuba, Venezuela, Chile e Argentina.

Sr. Mazoni: "Temos sim uma relação forte com todos os países da América Latina, e alguns países ibéricos. Então, a Espanha tem um trabalho muito forte com a gente nos centros de conhcimentos livres. E nós já temos algumas soluções trabalhadas com outros países da América Latina. Por exemplo, o Paraguay, que nós já temos até uma atividade econômica em conjunto, que é Itaipu. Lá já temos soluções que foram aperfeiçoadas no Brasil com software livre, já com tradução para o espanhol. E que esta sendo liberado para todos os países da América do Sul."

"Tudo isso ajuda numa relação boa com Cuba, com a Argentina, que tem inclusive uma atividade de controle com o uso do software livre, controle ambiental. O Chile tem um trabalho que está focado muito dentro do setor privado. É um país que avançou no software livre no setor privado, mais do que no governo. Mas nós temos essas relações e estamos organizando um evento para o final de Agosto. Onde o Governo Lula, o 'Governo Eletrônico', vai estar discutindo exclusivamente o software livre, onde estaremos trazendo todos esses atores do nosso cantinho do planeta para conversar e acertar projetos comuns, porque as nossas situações são muito parecidas. O Brasil, ele tem a metade do PIB da América do Sul. Mas nós temos situações aqui, temos dificuldades quanto qualquer outro país da América do Sul e também situações de modernidade que nenhum outro tem. Então, temos uma obrigação de liderança na melhoria dessa qualidade de vida dentro do nosso ambiente aqui da América do Sul. Inclusive é um ponto forte do Governo Lula, no sentido da preservação da paz no nosso Hemisfério Sul. Essas relações de solidariedade, elas ajudam também nessa missão que o nosso presidente tem hoje na América do Sul, que é da preservação da paz. O software livre entra também como um elemento de liberação dentro das pessoas." Futuro da Migração do Software Livre no Brasil

Com apenas dois anos restantes para o final da administração do Presidente Lula, dadas as grandes mudanças institucionais para o software livre, é difícil imaginar um processo econômico que possa reverter esses projetos - não apenas as mudanças dentro das empresas estatais de TI mas os outros diversos projetos que o Brasil lançou que utilizam o software livre: o projeto massivo de inclusão digital, projetos educacionais com Linux e também o uso generalizado de wikis, softwares gerenciadores de projetos, groupware, e outros que são de código aberto.

Sr. Mazoni: "Eu acho que nós estamos num momento do Brasil que já podemos apontar o governo como um caso de sucesso, que são as experiências governamentais tanto no âmbito federal quanto estudual. Com a quantidade de comunidades que surgiu no Brasil, nós podemos ver adiante do que diz respeito a esse novo ecossistema do software livre. Acho que nós temos obrigações nesses próximos anos de consolidare o software livre no Brasil como modelo de negócio viável, fazendo com que ele fique muito mais independente de ser uma política do governo atual, mas que fique no estado brasileiro, aí nos seus diferenciadores, tanto governo quanto sociedade civil organizada, universidades. Usar esse grande momento que nós estamos vivendo de inclusão digital, de uma reorganização do nosso país, para implantar uma nova filosofia e um novo modelo de negócios. A nossa missão aqui é consolidar um modelo de negócios que se sustente, que fique cada vez mais na mão da sociedade do que na mão do governo. Então, eu acho que essa experiência rica que o Brasil teve nesse período, ela já é potente suficiente para trabalharmos numa mudança da sociedade aonde as pessoas irão defender a lógica do software livre, não mais necessariamente esse modelo."

Existem três frentes do software livre brasileiro: 1) migração interna, 2) inclusão digital e 3) investimento do governo no setor de TI do Brasil.

"Exatamente, tem razão, nós temos essas três linhas. Nós não trabalhamos meramente na geração de código, nós trabalhamos na geração de soluções de tecnologia da informação. E eu acho que o papel do Brasil, ele é muito importante, especialmente aqui na América do Sul, para aproveitar essa nossa riqueza toda e incluir mais pessoas no mundo da economia, incluir no ecossistema, deixar ele funcionando. Porque o governo é um grande comprador...O governo Brasileiro, nas três esferas, compra metade de tudo que é usado de TI. O que não é nada muito surpreendente, porque esse caso também se repete aí nos EUA. O governo também é comprador de 50% do que usa de TI. É natural que esse grande comprador, ele puxe o mercado. Ele faz decisões que afetam o mercado. Então, se fazemos uma decisão por um padrão de tecnologia, que na verdade o que nós queremos é essa abertura, esse conhecimento aberto, muito mais do que a tecnologia propriamente dita, mas ela se reflete na tecnologia. Nós podemos sim desenhar um mercado aonde as pessoas tem um valor superior aos royalties, e é isso que a gente acredita, que é a nossa tarefa inclusive nesse segundo mandato do presidente Lula."

Esse é o primeiro artigo de uma série que irá documentar os esforços brasileiros na migração do governo para o software livre. O nosso próximo artigo irá explorar a iniciativa de Inclusão Digital.

por Ryan & Isabela Bagueros, 5 maio 2008, San Francisco, California



Fonte: NorthxSouth
 

 

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